Razões para a aquisição da obra

D. Maria Bárbara de Bragança

Retrato de D. Maria Bárbara de Bragança

Óleo sobre tela

130 x 100 cm

Século XVIII (2ª metade)

Oficina de Jacopo Amiconi

Preço: 5 925 € (Já com a comissão da leiloeira incluída)

O Palácio Nacional de Mafra afirma-se na História e na contemporaneidade pela grandiosidade e qualidade da edificação, havendo mesmo quem afirme que ele vale sobretudo por essas realidades. 

Com efeito, a excelência da arquitetura, aliada às soluções de engenharia utilizadas na sua elevação deixam poucas dúvidas à pertinência daquela afirmação. Tudo foi previsto, desde a articulação dos espaços, não raro consequência dos jogos barrocos entre os planos arquitetónicos e a luz natural que os relevam, até às técnicas que resolviam todo o tipo de questões que a hidráulica colocava.

Arte omnipresente

Pode mesmo afirmar-se que o “pormenor” que prolifera pelo edifício é delicioso, espantando amiúde o visitante dos dias de hoje que, ao observar atentamente as “coisas”, vê nelas verdadeiras obras de arte.

Contudo, nada disto deve surpreender os estudiosos, se pensarmos que a Arte deveria estar, como está, omnipresente num monumento encomendado pelo rei Magnífico, que queria afirmar-se perante os seus e os outros, os de fora.

Pode mesmo afirmar-se que o “pormenor” que prolifera pelo edifício é delicioso, espantando amiúde o visitante dos dias de hoje que, ao observar atentamente as “coisas”, vê nelas verdadeiras obras de arte.

Contudo, nada disto deve surpreender os estudiosos, se pensarmos que a Arte deveria estar, como está, omnipresente num monumento encomendado pelo rei Magnífico, que queria afirmar-se perante os seus e os outros, os de fora.

Música é Arte. Literatura é Arte. Até o “cortejo”, nas suas inúmeras variantes, é Arte. E todas estas formas de Arte constituem peças fundamentais no monumento. 

Na verdade, a música afirma com veemência a sua presença, através das melodias exaladas dos seis órgãos da Basílica e da voz dos sinos que constituem os carrilhões, neste caso levada a distâncias improváveis. 

A Literatura, por seu lado, reúne-se na Livraria do Convento, acomodando-se nas silenciosas estantes entalhadas dum espaço muito próprio, conhecido do mundo erudito e silenciando o visitante comum. 

Pode mesmo afirmar-se que o “pormenor” que prolifera pelo edifício é delicioso, espantando amiúde o visitante dos dias de hoje que, ao observar atentamente as “coisas”, vê nelas verdadeiras obras de arte.

Contudo, nada disto deve surpreender os estudiosos, se pensarmos que a Arte deveria estar, como está, omnipresente num monumento encomendado pelo rei Magnífico, que queria afirmar-se perante os seus e os outros, os de fora.

Música é Arte. Literatura é Arte. Até o “cortejo”, nas suas inúmeras variantes, é Arte. E todas estas formas de Arte constituem peças fundamentais no monumento. 

Na verdade, a música afirma com veemência a sua presença, através das melodias exaladas dos seis órgãos da Basílica e da voz dos sinos que constituem os carrilhões, neste caso levada a distâncias improváveis. 

A Literatura, por seu lado, reúne-se na Livraria do Convento, acomodando-se nas silenciosas estantes entalhadas dum espaço muito próprio, conhecido do mundo erudito e silenciando o visitante comum. 

O “cortejo”, que foi, no passado, um dos rostos do caráter social da época barroca, pode ser revivido pala capacidade imaginativa do presente, ao percecionar os longos corredores e a sucessão obrigatória de espaços que o Convento proporciona, levando-o tantas vezes para o exterior, sob a forma de procissão, admitindo no seu seio a inclusão dos fiéis não professos, quando não a do próprio monarca.

Obra de Arte completa

Também as Belas Artes têm lugar cimeiro no edifício. Aliás, Mafra é exemplo esperado da Obra de Arte completa, em que, com a Arquitetura, convivem desde logo a Pintura e a Escultura, mas também as Artes Decorativas. 

E se da pintura mural de setecentos, que recebeu nalguns espaços, pouco resta, já a dos primórdios da centúria seguinte está bem à vista numas poucas de salas, saída dos pincéis de Cirilo e de Sequeira. 

O resto era a pintura móvel, de cavalete, ou aquela que foi destinada a integrar a estrutura, como as lunetas das capelas laterais da Basílica. Sem esquecer as grandes telas para decorar paredes e altares conventuais, encomendas que dignificavam o rei e inspirariam os monges.

A grande escultura de Mafra

A escultura, a grande escultura de Mafra, notabilizou-se mais com Giusti que, no reinado de D. José, veio fazer os retábulos das capelas da Basílica, originando a Escola de Escultura; não esquecendo, porém, os anteriores Monaldi, Rossi, Lironi, entre outros da época joanina, que deixaram exemplares de vulto perfeito de qualidade superior. 

Das artes decorativas do início da vida palaciana pouco se sabe. Certamente o Palácio não prescindiu delas, apesar da Corte portuguesa ser, desde sempre, itinerante, fazendo deslocar peças entre as várias residências reais, conforme as necessidades das estadas. 

Pode pensar-se na existência de mobiliário, luminária, têxteis, instrumentos musicais, artefactos científicos, cerâmica, apetrechos de cozinha e de mesa… Sabe-se, no entanto, que, com a deslocação da família real para o Brasil no final de 1807, muitas tapeçarias de Mafra foram levadas, bem como pinturas e mobílias pertencentes ao Palácio. E não voltaram.

Decoração não original

A escultura, a grande escultura de Mafra, notabilizou-se mais com Giusti que, no reinado de D. José, veio fazer os retábulos das capelas da Basílica, originando a Escola de Escultura; não esquecendo, porém, os anteriores Monaldi, Rossi, Lironi, entre outros da época joanina, que deixaram exemplares de vulto perfeito de qualidade superior. 

Das artes decorativas do início da vida palaciana pouco se sabe. Certamente o Palácio não prescindiu delas, apesar da Corte portuguesa ser, desde sempre, itinerante, fazendo deslocar peças entre as várias residências reais, conforme as necessidades das estadas. 

Pode pensar-se na existência de mobiliário, luminária, têxteis, instrumentos musicais, artefactos científicos, cerâmica, apetrechos de cozinha e de mesa… Sabe-se, no entanto, que, com a deslocação da família real para o Brasil no final de 1807, muitas tapeçarias de Mafra foram levadas, bem como pinturas e mobílias pertencentes ao Palácio. E não voltaram.

Especial interesse para o Palácio

A pintura levada há dias a leilão – Retrato de D. Maria Bárbara de Bragança – reveste-se de um interesse especial para o Palácio Nacional de Mafra. 

Em primeiro lugar, porque D. Maria Bárbara foi a primeira filha da prole de D. João V, nascida a 4 de dezembro de 1711, ano em que – reza a tradição – o bispo D. Nuno da Cunha solicitou ao frade franciscano Frei António de S. José, que dirigisse as suas orações a Deus, pedindo um herdeiro para Sua Majestade, que teimosamente não aparecia, ao fim de três anos de casamento. Este limitou-se a responder que se el-Rei construísse um convento em Mafra, Deus lhe daria sucessão. A concretização da “profecia” do frade embalou o monarca no avanço dos preparativos para a edificação, que viu lançada a primeira pedra a 17 de novembro de 1717. 

D. Maria Bárbara de Bragança

Troca das princesas

Em segundo lugar, porque D. Maria Bárbara foi aquela que, por parte de Portugal, protagonizou o célebre episódio da chamada “Troca das Princesas”, ocorrido na Ponte do Caia a 19 de janeiro de 1729, sendo “trocada” pela princesa espanhola D. Mariana Vitória, filha mais velha de Filipe V de Espanha e quarta na ordem de nascimento. D. Maria Bárbara casaria com Fernando VI de Espanha e D. Mariana Vitória com o nosso rei D. José. 

Este acontecimento foi também uma oportunidade para a exibição da grandeza de D. João V, para cuja deslumbrante embaixada chegou a mandar erigir o Paço de Vendas Novas, para um poiso a meio caminho. 

D. Maria Bárbara de Bragança

Rainha de Espanha

Enquanto rainha de Espanha (1746-1759) D. Maria Bárbara granjeou, não só o amor sincero do marido, mas também uma enorme simpatia por parte do povo espanhol. 

Precocemente culta, falava várias línguas, interessou-se pelas Belas Artes e aprendeu música com Domenico Scarlatti. Todos estes aspetos da vida de D. Maria Bárbara, naturalmente aprofundados, são parte importante da narrativa didática proferida pelos técnicos do Serviço Educativo do Palácio Nacional de Mafra, sobretudo no acompanhamento dos milhares de alunos (e professores) que nos últimos anos têm procurado o Palácio, no âmbito da visita temática “Memorial do Convento – Integração Histórica”.

D. Maria Bárbara de Bragança

Pequeno quadro a óleo

Em terceiro lugar, porque a iconografia desta princesa de Portugal e rainha de Espanha existente no Palácio de Mafra está limitada a um pequeno quadro a óleo sobre tela, que a retrata enquanto jovem, de qualidade mediana. Não espelha, por isso, a majestade da figura, conferida pela sua condição, que teve, de rainha. 

Pode dizer-se que a memória de D. Maria Bárbara merece muito mais. 

O quadro que agora nos é “oferecido” tem as características necessárias para tal. As dimensões (130 x 100 cm) são suficientes, pois permitem que ocupe uma parede de topo da Sala D. João V, tendo a vantagem de ficar de frente para quem visita o Palácio; tem a forma elítica, fugindo ao normal formato retangular de quase todos os outros quadros – o que apela à atenção do visitante; tem a qualidade que é precisa para figurar nesta Casa, quer nos aspetos anatómicos das figuras, quer no tratamento dos panejamentos e acessórios, quer ainda na harmonia cromática que apresenta. 

Jacopo Amiconi

A atribuição pelo vendedor à oficina de Jacopo Amiconi (ou Amigoni) é outra garantia de qualidade. Natural de Veneza, Amiconi nasceu em 1682, tendo falecido em Madrid, em 1752. Pintor de temas mitológicos e religiosos, foi também um retratista notável e prolífico. 

Talvez tenha aprendido com Antonio Bellucci e influenciado Giuseppe Nogari. Entre outros, foram seus discípulos  Charles Joseph Flipart , Michelangelo Morlaiter , Pietro Antonio Novelli , Joseph Wagner e Antonio Zucchi

Trabalhou na Alemanha, Inglaterra, Itália e Espanha, para onde foi em 1747, tendo sido pintor régio de Fernando VI e diretor da Real Academia de San Fernando. Retratou a própria rainha Maria Bárbara.

João Vaz (Palácio Nacional de Mafra/DGPC)